16 de nov de 2014

A Aposta



    Chegava sabado, e como tal era dia de futebol.
Os meninos estavam eufóricos, pois seria um clássico.
Os dois maiores times da capital iriam se enfrentar!
Laupinho dizia:
    - O meu time é um timaço. Vai ganhar de 3 a 0!...
Juliudu retrucava: - O meu é que é o melhor. O meu é
que vai ganhar! Outros diziam:
    - O meu tem a maior torcida...
    - O meu tem cracks de seleção!
    - A camisa do meu time é a mais bonita!...
    E ninguém nunca chegava a um consenso. Daí Lili,
Representando a ala feminina, tentava dialogar:
    - Hi, meninos, tantas coisas importantes na vida, e
 vocês discutindo por causa de um bando de homens
correndo atrás de uma bola!...
    - Ora bolas, meninas! Vocês não entendem nada
de futebol. Não sabem o que é o prazer de ver uma
bola estufar uma rede num estádio ¨lotado¨ de
torcedores! É uma das melhores coisas da vida...
 - Filosofou Laupinho. E antes que alguém manifestasse
mais alguma idéia, voltou a dizer:
    - E falando nisto, como eu tenho certeza que o
meu time vai vencer hoje, eu faço uma aposta!
Se o meu time ganhar de 3 a 0 eu pinto o meu cabelo
de vermelho e verde!
    Alguns duvidaram, mas Laupinho falava mesmo sério.
E todos aguardaram para o final da tarde, depois
do jogo, para ver se a aposta seria ou não cumprida!
    Os meninos não foram ao estádio, mas acompanharam
pela TV um jogo muito disputado com jogadas
belíssimas, dribles matadores, e gols, muitos gols.
E o time de Laupinho ganhava por 4 a 0.
    Todos foram para a rua esperar para verem a
aposta cumprida.
Mas quando chegaram, Laupinho já estava lá,
balançando uma bandeira e gritando o nome do seu
time. Mas seus cabelos estavam normais.
Juliudu pergunta:
    - Ei Laupinho, você não cumpriu a aposta!
Seu time ganhou e você não pintou os cabelos!
    - Mas eu apostei que pintaria se o meu time ganhasse
De 3 a 0. Só que ele ganhou de 4 a 0!!
    Daí em diante foi a maior confusão. Os meninos
não queriam nem saber. Laupinho teria que
pintar os cabelos, custasse o que custasse.
    Mais tarde, a cena que se via pelo bairro era a
mais engraçada possível. Laupinho correndo ruas
abaixo, e uns 20 meninos atrás, gritando pega, pega,
pega! E todos com latas de tinta a óleo vermelho e verde,
prontas para serem usadas... nos cabelos, é claro!!!


  



Essa é mais uma das inúmeras histórias infantis que eu produzi
para o jornal Diário da Tarde de BHZ. Fui colaborador por vários 
anos, com tirinhas do meu personagem Rauf, um cachorrinho e seus
amigos, e várias histórias infantis, quase todas ilustradas pelo grande
artista Son Salvador, como essa publicada em um sábado, 04 de 
maio de 1996. Sinto saudades do Diário daTarde. Ficou uma lacuna
na cidade depois que ele parou de circular!...